Galáxias Seyfert e Objetos BL Lacertae (BL Lac)


Galáxias Seyfert

As galáxias Seyfert, descritas por Carl Keenan Seyfert (1911 – 1960) em 1943 (“Nuclear Emission in Spiral Nebulae”, The Astrophysical Journal, 97, 28), são galáxias espirais com núcleos pontuais muito luminosos, em torno de 1036 a 1038 Watts, contribuindo com aproximadamente metade da luminosidade total da galáxia no ótico. O espectro nuclear apresenta linhas de emissão alargadas, de elementos pesados altamente ionizados, e um contínuo não-térmico muito intenso no ultravioleta, cuja estrutura é explicada como devida a movimentos internos muito rápidos no núcleo. Geralmente, a emissão dessas galáxias sofre variabilidade em períodos relativamente curtos, o que leva a concluir que a fonte emissora deve ser compacta, como um buraco negro. Estima-se que aproximadamente 1% de todas as galáxias espirais são Seyfert.

Foto da galáxia Seyfert Circinus, com dois anéis, um de diâmetro de 1300 anos-luz e outro de 260 anos-luz, obtida com o Telescópio Espacial Hubble.
Foto da galáxia Seyfert Circinus, com dois anéis, um de diâmetro de 1300 anos-luz e outro de 260 anos-luz, obtida com o Telescópio Espacial Hubble.

Objetos BL Lacertae (BL Lac)

Os objetos BL Lacertae, também chamados blazares, constituem uma outra classe de objetos exóticos, que apresentam um núcleo muito brilhante e compacto. Têm como principais características a extraordinária variabilidade em curtos períodos de tempo, luz polarizada, e um espectro não-térmico sem linhas de emissão ou absorção. O primeiro objeto desse tipo, e que deu nome à classe, foi BL Lacertae, observado em 1929, na constelação do Lagarto. No princípio, foi confundido com uma estrela, por seu brilho poder variar por um fator de 15, em poucos meses. Muitos desses objetos são também fontes de rádio, e acredita-se que eles sejam rádiogaláxias, orientadas de forma que a linha de visada fica na direção do jato. Atualmente a maioria dos astrônomos aceita que as diversas formas de galáxias com núcleo ativo, como galáxias Seyfert, quasares e blazares, tenham sua fonte de energia originada no mesmo processo básico: gás sendo acelerado por um buraco negro central, liberando energia potencial na forma de radiação.

Comparação entre diferentes tipos de galáxias ativas
Propriedade Radiogaláxias Galáxias Seyfert Objetos BL Lac Quasares
Espectro contínuo não-estelar não-estelar não-estelar não-estelar
Linhas de emissão largas e estreitas largas e estreitas nenhuma ou fracas largas e estreitas
Forma no ótico elíptica espiral incerta estelar
Forma em rádio jatos e lóbulos emissão fraca emissão fraca jatos e lóbulos

O catálogo de galáxias ativas dos franceses Marie-Paule Véron-Cetty e Philippe Véron, Quasars and Active Galactic Nuclei (12th Ed.), publicado em 2006, contém 85 221 quasares (definidos como objetos mais brilhantes que magnitude absoluta B=-23), 21 737 AGNs (Active Galactic Nuclei, definidos como objetos mais fracos que magnitude absoluta B=-23) e 1122 blazares.
O Catálogo de Galáxias do Data Release 4 do SDSS contém 88 178 galáxias com linhas de emissão.
Em 2004 Scott M. Croom et al. (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, 349, 1397) publicou o catálogo de espectros de 40 220 quasares observados no hemisfério sul pelo 2dF Galaxy Redshift Survey.
O Décimo Catálogo de Quasares do Sloan Digital Sky Survey de Isabelle Pâris et al. publicado em 2014 (Astronomy & Astrophysics, 563, A54) contém 166,583 quasares. O Data Release 7 do Sloan Digital Sky Survey, publicado em out/2008, contém espectros de 929124 galáxias.

As maiores dúvidas sobre as galáxias concentram-se em como elas se formaram, qual é a composição de sua massa escura/matéria escura – que pode corresponder a 85-90% de sua massa total, e porque algumas galáxias parecem ter um buraco negro central que libera uma quantidade colossal de energia.

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FONTE: Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS

Créditos: Kepler de Souza Oliveira Filho / Maria de Fátima Oliveira Saraiva

© Os textos, gráficos e imagens desta página têm registro: ISBN 85-7025-540-3 (2000), ISBN 85-904457-1-2 (2004), ISBN 978-85-7861-187-3 (2013), e só podem ser copiados integralmente, incluindo o nome dos autores em cada página. Nenhum uso comercial deste material é permitido, sujeito às penalidades previstas em lei.
© Kepler de Souza Oliveira Filho & Maria de Fátima Oliveira Saraiva

Imagens Extras: NASA / HubbleSite

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