Planetas Anões


Você deve ter aprendido na escola que existem nove planetas no sistema solar: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão, pelo menos era isso o que os professores ensinavam desde a década de 1930.
Mas as coisas mudaram há quase cinco anos, Plutão deixou de ser considerado um planeta pois em 2006 a União Astronômica Internacional (UAI) rebaixou Plutão a recém criada categoria de “planeta anão”, depois de terem sido descobertos vários corpos orbitando o sol, tão distantes quanto Plutão – Éris, em particular, que parecia ser maior do que o antigo nono planeta do sistema solar.

Posição ordenada dos principais corpos celestes do nosso sistema solar.
Posição ordenada dos principais corpos celestes do nosso sistema solar.

Com isso, a UAI criou uma nova definição de planeta: um corpo que circunda sua estrela, sem ser satélite de nenhum outro objeto, grande o suficiente parra se tornar esférico devido a sua própria gravidade (mas não tão grande para sofrer fusões nucleares, como uma estrela) e que tenha expulsado a maioria dos outros corpos que orbitam a “vizinhança”.
Como Plutão divide seu espaço orbital com muitos outros objetos do Cinturão de Kuiper(anel de corpos gelados além de Netuno) ele não satisfaz as características de um planeta. Portanto, ele passou a ser recentemente classificado como um planeta anão, que tende a ser menor do que os verdadeiros planetas e não pode “limpar a vizinhança” como eles. Centenas, ou até milhares, de corpos do sistema solar podem, eventualmente, entrar na lista de planetas anões, mas a UAI reconhece oficialmente apenas cinco: Ceres, Plutão, Haumea, Makemake e Éris. Confira aqui uma breve descrição sobre esses cinco planetas anões:

Plutão

Concepção a partir do software Stellarium
Concepção a partir do software Stellarium

Plutão foi descoberto em 1930 pelo americano Clyde Tombaugh, como parte da busca pelo mítico “Planeta X”, que imaginavam que estaria perturbando a órbita de Urano.
Embora o planeta anão seja relativamente pequeno, quando ele foi descoberto os astrônomos acreditavam que ele tinha pelo menos o tamanho da Terra. Agora os cientistas sabem que ele tem 2.352 quilômetros de diâmetro – menos de 20% do tamanho de nosso planeta, e apenas 0,2% da massa da Terra.
Plutão tem uma órbita extremamente elíptica que não está no mesmo plano que as órbitas dos oito planetas oficiais. Em média, o planeta anão cruza em torno do sol a uma distância de 5,87 bilhões de quilômetros e demora 248 anos para completar uma volta.

Como fica muito longe do sol, Plutão é um dos lugares mais frios do sistema solar, com temperaturas da superfície oscilando em torno de -225° C.
Plutão tem quatro luas conhecidas: Caronte, Nix, Hydra e um minúsculo satélite recém-descoberto chamado de P4. Enquanto Nix, Hydra e P4 são relativamente pequenos, Caronte tem cerca de metade do tamanho de Plutão. Por causa do tamanho de Caronte, alguns astrônomos tratam Plutão e Caronte como um planeta anão duplo, ou um sistema binário.

Imagem obtida pela sonda New Horizons
Imagem obtida pela sonda New Horizons

Plutão é um corpo muito difícil de estudar por sua distância, mas os cientistas acreditam que o planeta anão tem cerca de 70% de rocha e 30% de gelo – a superfície é coberta predominantemente por gelo de nitrogênio. O planeta anão tem uma fina atmosfera, composta de nitrogênio, metano e monóxido de carbono.
Os mistérios que guardam Plutão poderão ser desvendados em alguns anos. Isso porque a sonda New Horizons, da NASA, vai fazer um voo rasante lá em julho de 2015.

Concepção em escala a partir do software Stellarium
Concepção em escala a partir do software Stellarium

Éris

Concepção artística de Éris
Concepção artística de Éris

Éris foi descoberto em 2005, e foi o corpo que estimulou a UAI a tirar Plutão da lista de “planetas” e criar a categoria “planeta anão”, um ano depois.
A decisão permanece controversa ainda hoje, tornando o nome de Éris mais do que apropriado: Éris é a deusa grega da discórdia, que despertou o ciúme e a inveja entre as deusas, levando à Guerra de Tróia. A única lua conhecida de Éris não deixa por menos: é a Dysnomia, nome da filha da deusa, caracterizada pelo espírito da anarquia.

Éris tem praticamente o mesmo tamanho de Plutão, mas tem 27% mais massa, o que sugere que Éris tenha consideravelmente mais rocha (e menos gelo). No entanto, as superfícies dos dois planetas anões parecem similares, compostas principalmente por gelo de nitrogênio.
Como Plutão, Éris tem uma órbita extremamente elíptica, e é ainda mais distante, ficando em média a 10,1 bilhões de quilômetros de distância do sol – e levando 557 anos para completar uma volta em torno dele.

O Telescópio Espacial Hubble e o Observatório Keck obteve imagens do movimento de Dysnomia a partir do qual o astrônomo Mike Brown (Caltech) calculou precisamente que Eris possui 27% mais massa que Plutão.
O Telescópio Espacial Hubble e o Observatório Keck obteve imagens do movimento de Dysnomia a partir do qual o astrônomo Mike Brown (Caltech) calculou precisamente que Eris possui 27% mais massa que Plutão.

Haumea

Haumea – um habitante do Cinturão de Kuiper que órbita um pouco além de Plutão – foi descoberto em 2004 e é um dos mais estranhos objetos do sistema solar. Haumea tem cerca de 1.931 quilômetros de diâmetro, o que o torna quase tão grande quanto Plutão. Entretanto, ele tem apenas um terço da massa de Plutão, em parte porque não é esférico. Em vez disso, Haumea tem a curiosa forma de uma gigante bola de futebol americano.

O planeta anão completa uma rotação em menos de quatro horas, sendo um dos corpos com maior velocidade de rotação do sistema solar. Essa super rotação é responsável pela forma incomum de Haumea.

Haumea foi nomeado em homenagem a deusa havaiana do parto, e tem duas luas conhecidas: Hi’iaka e Namaka. As luas têm nomes de duas das filhas da deusa. Os cientistas descobriram recentemente que 75% da superfície de Haumea é coberta por gelo de água cristalina, semelhante ao material que você encontra dentro do seu congelador. Haumea faz uma volta completa em torno do sol a cada 283 anos.

Concepção artística de Haumea e suas luas, Hi'aka e Namaka.
Concepção artística de Haumea e suas luas, Hi’aka e Namaka.

Makemake

Imagem obtida pelo Telescópio espacial Hubble.
Imagem obtida pelo Telescópio espacial Hubble.

Makemake orbita o sol com um pouco mais de distância do que Plutão, a cerca de 6,85 bilhões de quilômetros e completa uma órbita a cada 310 anos, ou algo próximo a isso.

Makemake é o segundo objeto mais brilhante do Cinturão de Kuiper (depois de Plutão), e pode ser visto de um telescópio amador. Como Haumea, Makemake recebeu o nome de uma divindade polinésia – neste caso, o criador da humanidade e o deus da fertilidade no panteão dos rapanui, o povo nativo da Ilha de Páscoa. Como Plutão e Éris, Makemake parece ter uma cor avermelhada no espectro de luz visível. Os cientistas acreditam que sua superfície é coberta por uma camada de metano congelado e ainda não foi observada nenhuma lua no mundo distante.

Concepção artística de Makemake. Créditos: NASA
Concepção artística de Makemake. Créditos: NASA

Ceres

Image Credit: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
Imagem obtida pela sonda Dawn. Image Credit: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA

Ceres é o único planeta anão não encontrado no frio e distante Cinturão de Kuiper. Em vez disso, ele órbita o cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, completando uma volta em torno do sol a cada 4,6 anos.

Ceres é de longe o maior objeto no cinturão de asteroides, compondo cerca de um terço da massa do cinturão. Ao mesmo tempo, com 950 quilômetros de diâmetro, é o menor planeta anão conhecido. Ele foi nomeado em homenagem a deusa romana da colheita e do amor materno.

Como Ceres está muito mais perto da Terra do que os outros planetas anões, ele foi descoberto muito antes dos outros, em 1801. Muitos astrônomos consideravam Ceres um planeta de verdade. Isso mudou quando ficou claro que Ceres era apenas um dos muitos corpos zunindo pelo espaço no cinturão de asteroides.

Concepção do interior de Ceres
Concepção do interior de Ceres

É pensado que Ceres seja diferenciado por abrigar um pouco de água – os cientistas acreditam que ele tem um núcleo rochoso cercado por um manto de gelo. Alguns pesquisadores acreditam que um oceano de água líquida possa existir abaixo da superfície de Ceres.

Os cientistas e o mundo estão compreendendo o funcionamento de Ceres devido a sonda Dawn da NASA – que após orbitar Vesta, o segundo maior habitante do cinturão de asteroides – chegou a Ceres em 2015 para realizar um estudo detalhado sobre o planeta anão.

Image Credit: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
Image Credit: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA

FONTES: HypeScience / NASA

IMAGENS: Stellarium NASA

 

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